Arquivo para Abril 24th, 2007

Bombardeio

24, Abr 2007

Bombardeei esse blog com reviews dos animes que mais gosto. Sabe como é né, mente vazia é ferramenta do diabo, enquanto eu estou aguardando a compilação do XFCE4 eu resolvi colocar aqui a lista dos meus animês e seus reviews. Claro que tirei proveito do site Animehaus onde excelentes criticos de animê expõe suas opniões, porque se eu fosse escrer tudo que penso desses animês meus limitados 50mb de espaço seriam facilmente consumidos.

Deem uma olhada na sessão Animê

Full Metal Panic

24, Abr 2007

Quem, entre os animemaníacos por aí, não curte uma boa história na qual misturam-se elementos como romance, ação e comédia? Quem, entre os “cuecas”, não curte uma história onde o mocinho salva a garota e se torna seu cavaleiro de armadura, e ela, apesar de não demonstrar, sente tanto amor por ele que quase pula no seu pescoço o tempo todo? E as senhoritas, será que não curtem este tipo de história também?

Pois para quem curte, ainda existem (sim, ainda existem!) animes ótimos por aí, e um deles, com certeza, é Full Metal Panic.

Apesar do nome, que a princípio dá uma idéia bem diferente do anime (Completo Pânico de Metal – mamãe, eu tô com medo!! ^__^), Full Metal Panic é um anime que tem o seguinte enredo principal: uma organização secreta, chamada Mithril, tenta impedir um vilão-terrorista-reencarnação-do-demo, conhecido como Gaul, de conseguir aprisionar os “Whispered”, pessoas que conhecem e experimentam visões onde lhes são mostradas tecnologias (Black Technology) acima do nosso tempo (uma espécie de super-dotados), dando, assim, poder para quem conseguir obter as informações de dentro de suas cabecinhas. É aí que entram nossos personagens principais. Sem querer resumir muito a história (mas já resumindo), nosso Sargento Sagara Sousuke, junto com dois de seus camaradas, tem que se infiltrar na escola de Kaname Chidori, nossa bela-confusa-geniosa protagonista, e impedir a sua captura pela organização de Gaul.

Bom, isso é apenas o começo, mesmo, da série, que segue assim até o 8º episódio, quando outras coisas entram em questão, tendo até um episódio onde nossa amiga Chidori nem é mencionada, e concentrando-se inteiramente ao redor de nossos colegas militares e sua base (que, se não mencionei, é um submarino).

Pontos Fortes:

A série tem muitos pontos fortes. Por ser uma série de Tv, FMP é, na minha opinião, muito bem feita e muito bem produzida. Os personagens são profundos, mas não muito. Podemos citar como exemplo a capitã do submarino, que é apaixonada pelo nosso colega Sagara, e a relação entre Sagara e Chidori, que passa muitas vezes do hilário ao ridículo, indo ainda ao ternamente balanceado (como, por exemplo, quando ele chega de uma batalha e senta-se ao lado dela. Em silêncio, em um corredor, os dois nem chegam a se abraçar, mas percebemos quanto amor tem ali).

Pontos Fracos:

Como sempre, há os pontos fracos, que têm de ser pesados também. Ao meu ponto de vista, não é uma série que balanceia muito bem os elementos “shounen” e “shoujo”. No início há uma química legal, mas depois há muito mais espaço para batalhas intermináveis entre Mechas (tem uma delas que dura três episódios!!) e o espectador fica naquela: “Mas cadê a Kaname ?”; “E o que vai acontecer com Sagara e ela?”; “O que aconteceu com aquele clima que há no início dos episódios, onde parece que a história vai se desenvolver ao redor de Sagara e de sua incapacidade completa em se relacionar com outras pessoas de maneira casual, sem mencionar nomes de armas e jargões técnicos militares, enquanto deixa a Chidori louca da vida???”.

Há muitos clichês, também, como o personagem de Kurz, amigo de Sagara, que é uma espécie de Johnny Bravo dos animes (é incrível como nada se cria, tudo se copia!!!).

Também há outro erro, bem marcante: de repente, os “Whispered” não são mais citados na história (a bem da verdade, só são citados umas duas ou três vezes, nos primeiros episódios, e uma vez no 22), e toda aquela procura desenfreada de Gaul dá lugar a “coisas-mais-comuns-que-terroristas-fazem”, como vender arsenal nuclear para países pobres, e este tipo de coisa. Qualé? Quer dizer que os “Whispered”, na verdade, eram só 4? E eram justamente aquelas pessoas ao redor das quais o anime se concentra? Não existem mais pelo resto do mundo?? Pow, deixou faltando esta explicação aí….

Fonte: Animehaus

Elfen Lied

24, Abr 2007

Ano após ano, os fãs de animação são contemplados com inúmeras obras memoráveis. E, embora sejamos brindados com uma enxurrada de coisas interessantes, sempre é possível eleger uma, que se ergueu, ainda que apenas um degrau, acima das demais. Em 95, tivemos o poderoso Evangelion da Gainax. Em 97, o aclamado Berserk, animação baseada em um dos mangas de maior sucesso da história. Em 2000, o magnífico BoogiePop Phantom deixou todos pasmos. Em 2003, foi a vez da (deveras agradável) surpresa Kimi Ga Nozomu Eien.

Lá se foi 2004. E com ele se foram muitos animes formidáveis. Para citar apenas alguns, temos: Samurai 7, Mosnter, Gantz, Samurai Champloo, Paranóia Agent e Gundam Seed Destiny. Que todas estas obras facilmente mereceriam uma na casa dos 90%, não restam dúvidas, mas a que realmente merece o conceito máximo, certamente, é Elfen Lied.

No que poderia ser definido como uma incrivelmente bem sucedida mistura de Akira, Chobits e Gantz (falo sério), Elfen Lied deixa o espectador boquiaberto do primeiro ao último minuto, com sua sincronizada sucessão de cenas de extrema violência, fan-service, drama e romance. É um atípico caso em que adolescentes com superpoderes, romances infantis e carnificinas à luz do dia não entojam nem mesmo os fãs mais refinados.

A história gira em torno da mutante Lucy e de dois primos, Kouta e Yuka. Após alguns anos de separação, graças a uma tragédia com sua família, Kouta decide ir morar com sua prima. Neste mesmo dia, ele e Yuka acabam por encontrar uma estranha garota com chifres, ferida e nua na praia. Após descobrirem que ela não consegue falar e age como uma criança, resolvem dar-lhe abrigo. Eles só não imaginavam que, acolhiam, no seio de seu próprio lar, a portadora do fim.

Conforme os dias vão passando, Kouta e Yuka vão ficando mais próximos de Nyuu (nome dado a Lucy – a mutante encontrada na praia – pelo fato de ser a única palavra que ela consegue pronunciar) e estarrecedores fatos sobre o passado dos primos, bem como da implacável assassina de dupla personalidade e dos demais personagens vão se revelando.

Muitos devem estar se pergunatndo agora: “Chifres? Que diabos?” Sim. A turminha “do mal” – que no final se mostra do bem, se comparada aos homens – composta de belas garotas, adornadas com cabelos em tons avermelhados, chifres, alguns pares de braços invisíveis a mais e sexto sentido extremamente desenvolvido, se trata, na realidade, de uma nova espécie:os diclonius (dois chifres). Induzida por um vírus, criada, cultivada e exposta a dolorosas experiências em laboratório pelo homem, atribuí-se, a essa espécie, a futura aniquilição da humanidade.
Elfen Lied conta com uma história primorosa e complexa. Sem deixar de lado a inocência dos puros de coração, toca em assuntos delicados como preconceito, intolerância, pedofilia, abusos domésticos, crueldade humana e por aí afora.

Aspectos técnicos como traço, animação e trilha sonora são irretocáveis, também. “Lilium”, tema de abertura, pomposa canção lírica, totalmente em Latim, retirada de uma passagem bíblica, em contraposição com “Be Your Girl” música no melhor estilo Peach Girl, tema de encerramento, dá uma perfeita noção do sincretismo aspirado – e alcançado – pelo autor.

Com roteiro por conta de Takao Yoshioka, dirigida por Mamoru Kanbe e produzido pelos estúdios VAP/Genco, já era de se esperar algo de qualidade. Devo admitir que assisti a Elfen Lied ao mesmo tempo que a Boys Be e Naruto, que são dois fracassos nos quesitos traço e história, respectivamente, e isto, provavelmente, o fez subir ainda mais no meu conceito, embora eu não leve isso em conta nesta imparcial review.

Se não há muito o que se dizer sobre a animação, há uma consideração que merece ser feita sobre o (belo) traço de Seiji Kishimoto: se houvesse alguma premiação para a categoria “tamanho dos olhos dos personagens”, Elfen Lied certamente levaria. Sem exagero (por minha parte), eles ocupam, facilmente, quase a metade dos rostos dos personagens. Mas, longe de ser desagradável, isso os torna ainda mais expressivos.

O nome da série “Elfen Lied”, que significa Canção Élfica, (bem como os títulos de cada episódio) está em alemão, Muito provavelmente baseado na canção alemã de mesmo nome, de Eduard Mörike. Outro fato interessante sobre o anime e que, muitos devem se deleitar a respeito é a abertura. As suntuosas imagens foram retiradas da mais notável pintura de Gustav Klimt, “O Beijo”, que se encontra atualmente em Viena.

Desnecessário dizer, a essa altura, que falamos de uma obra “cult”. Não é para qualquer pessoa, definitivamente. Em primeiro lugar por sua exacerbada violência gráfica: a quantidade de decapitações e estripações cometidas por Lucy logo no primeiro episódio já deixa isso bastante claro. Em segundo lugar, pelo fascinante sadismo com que o autor intercala essas cenas viscerais, com cenas coloridas e felizes. E, em terceiro lugar – e principalmente – pela incomoda (para alguns) transparência com que o mais sombrio e sórdido lado humano é revelado, sem ressalvas.
Ok, vamos à parte mais ingrata do trabalho de escrever “reviews”: a famigerada nota.

Considerando-se que a nota máxima exige perfeição em contrapartida, não vejo outra nota possível. Não vou negar que achei alguns dos diálogos do anime um pouco sem nexo (a parte que Maya explica a Nana porque ela não deveria queimar dinheiro, por exemplo), mas como a chance disto ser culpa do fansub é de 99,99%, uma penalização seria injusta. Tem a questão do final também, deixado mais ou menos em aberto, com uma leve tendência a um final feliz, o que particularmente não me agrada e muito menos combina com a série. Mas por ter sido deixado em aberto, ficar conjeturando mais do que realmente é mostrado, seria mera especulação.

Fonte: Animehaus

Fate/Stay Night

24, Abr 2007

“Fate/Stay Night” é uma série de TV formada por 24 episódios, exibida durante esse primeiro semestre de 2006, no Japão. A produção é baseada na franquia de jogos hentai (eróticos) da empresa TYPE-MOON. A versão animada foi produzida pelo Studio Deen, responsável também por animes como Read or Die e Aishiteruze Baby.

Jogos hentai freqüentemente são matéria prima para ótimos animes. Temos como exemplos o fantástico “Air” e o interessante “Shingetsutan Tsukihime”, sendo este último também baseado num jogo da TYPE-MOON. Com “Fate/Stay Night” não foi diferente. É possível notar a alta qualidade da produção em termos de animação e roteiro. No entanto, infelizmente o potencial que o game oferece não foi devidamente aproveitado pela versão animada, pois esta não apresenta um enredo tão completo e nem tenta se aprofundar nas particularidades de cada personagem. Contudo, eu não culparia a equipe de produção. O verdadeiro culpado é um velho conhecido de todos, o dinheiro. Se dependesse dos produtores, Fate teria uma quantidade maior de episódios, mas para infelicidade geral da nação, o orçamento das animações japonesas nem sempre é o ideal. Por conta disso a equipe teve que tentar resumir a estória em somente 24 episódios, sendo obrigada a sacrificar muitas informações e fazer algumas substituições. Mas nem por isso a série possui uma trama ruim. Na verdade, o roteiro de Stay Night é, certamente, um dos mais interessantes da primeira leva de animes exibidas esse ano. O grande problema é que, certamente, teria potencial para ir muito além. Isso resulta num certo despontamento.

Depois de tanta falação, vocês devem estar curiosos para conhecer a estória da série, então aqui vai uma pequena sinopse: de tempos em tempos acontece uma guerra chamada Seihai Sensou, na qual 7 magos, acompanhados de seus 7 respectivos guerreiros servos (que são, na verdade, figuras lendárias como Hércules), batalham entre si na busca pelo Santo Graal, um artefato que supostamente possui poderes para realizar o desejo mais profundo de seu dono. Dentro deste cenário encontramos o jovem Emiya Shirou que, por acaso, se envolveu numa batalha entre sua colega de classe Tohsaka Rin e seu servo (Archer), os quais lutavam contra o Lancer, servo de um mestre ainda desconhecido. Devido a certas circunstâncias, Shirou acaba invocando o seu próprio servo, a bela Saber, uma espadachim que parece ter vindo de algum lugar da Europa medieval. Vale lembrar que o rapaz só conseguiu esse feito por já apresentar poderes especiais semelhantes à magia em momentos anteriores. Uma vez estando acompanhado de um servo, o cara acabou se envolvendo por completo na batalha pelo Santo Graal. Em resumo, se ferrou.

Como vocês puderam observar, “Fate/Stay Night” possui uma grande quantidade de personagens. Só entre as pessoas envolvidas nas lutas, são 14. Fora estes, existem outras figuras, como a colega de classe Matou Sakura e a professora pirada Fujimura Taiga. No jogo, todos esses personagens possuem uma participação bem marcante e apresentam um histórico particular bastante
aprofundado. Mas na série de TV, apenas Saber e Shirou recebem a devida atenção. Os outros componentes do elenco fazem apenas participações bem secundárias. Isso passa uma impressão ruim e tira um pouco da empolgação. Como já foi explicado anteriormente, a origem desse problema está no curto orçamento que a série recebeu, e por isso esta não é exatamente uma crítica direta à equipe de produção. Porém, ainda assim é um ponto negativo e vai ser levado em consideração na avaliação final desta resenha. Outra coisa que não agrada tanto são as lutas. Para anime um de ação e aventura, Fate possui batalhas pouco interessantes. Tudo bem, alguns momentos são muito legais, como o combate onde o Archer invoca seu golpe supremo, o “Unlimited Blade Works”. Mas, no geral, as lutas são meio fraquinhas mesmo.

Em relação à qualidade de animação, Fate se sai muito bem. Ela é impecável para uma série de 24 episódios, mantendo-se sempre estável e com boa movimentação. Os efeitos especiais, como iluminação e efeito de magia, também ficaram bonitos, combinando perfeitamente com o estilo do anime. A dublagem também está ótima. Infelizmente o mesmo não se pode dizer da trilha sonora. Não que ela seja ruim, ela só não é digna de destaque. Ao menos eu não consegui notar algo de especial nas músicas de fundo. Felizmente as canções de abertura e encerramento aumentam um pouco o nível, principalmente se falando da segunda abertura, com a música “Kirameku Namida wa Hoshi ni”.

Fonte: Animehaus

Earth Girl Arjuna

24, Abr 2007

É muito bom encontrar animes que vão muito além do simples entretenimento, com mensagens que realmente nos fazem pensar e refletir sobre a vida. Earth Girl Arjuna é uma obra de forte cunho ecológico, que questiona não apenas a maneira errada com que lidamos com o meio-ambiente no mundo civilizado mas, também, o modo de vida robotizado e carente de emoções da maioria das pessoas.

Mais um excelente anime criado pelo genial Shoji Kawamori (Escaflowne, Macross), Earth Girl Arjuna foi lançado no Japão em 2001, e conta a história de Juna Ariyoshi, uma bela estudante japonesa, possuidora de grande vigor físico e espírito jovial. Juna possui uma enorme afinidade mental e espiritual com seu colega Tokio Ooshima, mas, por alguma razão oculta, ambos não conseguem passar do estágio de amizade para namoro.

Certo dia, durante um passeio, ambos sofrem um acidente e, em conseqüência dos ferimentos, Juna morre. Nesta transição entre o mundo físico e espiritual, Juna visualiza o fim do mundo, com uma quantidade interminável de enchentes, queimadas, entre outras catástrofes. Durante este processo de morte, Juna entra em contato com um ser angelical chamado Chris, que lhe explica algumas coisas sobre os Raajas, espíritos malignos que querem destruir a Terra. Juna descobre, ainda, que ela é considerada um Avatar do Tempo, com a capacidade única de sincronizar-se com a Terra e, assim, utilizar todos os seus poderes latentes. Juna renasce, com a difícil missão de conciliar a luta contra os Raajas com a sua vida normal de outrora, especialmente em relação aos seus sentimentos por Tokio.

Earth Girl Arjuna é uma obra muito pessoal de Shoji Kawamori. Além da história, Kawamori também dirigiu e supervisionou todo o projeto, e inseriu muitas de suas convicções religiosas ao longo do anime. Shoji Kawamori é adepto do Xintoísmo, religião nacional do Japão que existia muito antes da inserção do Budismo dentro do país. Os xintoístas cultuam os antepassados e as forças da natureza, e acreditam que todas as coisas possuam seus próprios espíritos. Algumas destas idéias estão presentes de forma bem evidente em Earth Girl Arjuna… este assunto entrará em pauta novamente, mais à frente.

Em relação à equipe de produção, Earth Girl Arjuna contou com um time de peso. Além do próprio Shoji Kawamori, que dispensa comentários, Arjuna contou também com o excelente trabalho de Takahiro Kishida, desenhista de personagens que atuou na mesma função em Serial Experiments Lain. Na parte sonora, só para variar, mais um trabalho brilhante da inigualável Yoko Kanno. Em Arjuna, Kanno criou uma trilha magnética, repleta de músicas “new-age” com algumas pitadas de sons eletrônicos, que dão o tom exato às imagens psicodélicas que aparecem na tela. Vale destacar, também, o fabuloso trabalho de animação digital feito pelo estúdio Satellite… algumas cenas são de babar!

Costumo bater muito na mesma tecla, dizendo que um bom roteiro e personagens carismáticos são a alma de qualquer obra audiovisual, e Earth Girl Arjuna não foge à regra. Os dramas vividos pelos seus personagens são convincentes, e as reações dos mesmos frente às adversidades não caem nos clichês e lugares-comuns. Além dos excelentes personagens principais Juna, Tokio e Chris, merecem destaque a poderosa agente Teresa Wong, e Saiyuri, amiga inseparável de Juna e Tokio.

Mas é a história o verdadeiro tesouro desta série. Mesmo tendo uma trama surreal como pano de fundo, Earth Girl Arjuna ataca de maneira bem realista os excessos da sociedade civilizada e tecnológica dos dias de hoje. Poluição, uso abusivo de pesticidas, energia nuclear, pesquisas genéticas realizadas sem princípios morais, alimentação errada, dependência química… estes são apenas alguns dos temas delicados discutidos neste anime. Não há como ficar indiferente ao percebermos que, por trás de todo o conforto e bem-estar que desfrutamos, existe um preço muito alto a ser pago, desde a destruição e contaminação indiscriminada do meio-ambiente, até o surgimento de doenças humanas cada vez mais violentas e misteriosas.

Outro ponto interessante diz respeito ao vazio espiritual de grande parte das pessoas, que preocupam-se apenas em viver o dia-a-dia de forma rotineira e desinteressante, aceitando toda e qualquer informação que recebem da mídia e vivendo como autômatos, sem consciência dos problemas à sua volta. Prestem atenção no excelente episódio com o Prof. Sakurai, uma verdadeira aula sobre a tendência dos seres humanos em buscar sempre a forma mais fácil para resolver os problemas, mesmo que isto traga conseqüências graves para o futuro.

E aqui voltamos à questão do Xintoísmo. É preciso assistir a Earth Girl Arjuna com a cabeça aberta e o espírito crítico alerta, já que grande parte das idéias expostas no anime são transcrições quase literais do ideal xintoísta. Claro que isto não é uma coisa ruim “per si”, principalmente em uma série que quer apenas conscientizar as pessoas sobre a necessidade de modificar alguns hábitos nocivos. O problema é que, sendo muito calcado em uma religião, Earth Girl Arjuna pode ser visto com desconfiança por pessoas que seguem outras crenças, o que seria uma pena, já que a mensagem expressa por este anime é universal e não fere as convicções religiosas de ninguém.

Do lado negativo, temos a acentuada quebra no ritmo em alguns momentos e a postura às vezes extremista em relação a certos aspectos da civilização, que acabam tirando um pouco da força desta série. As cenas com Ashura, o protetor do tempo que é ativado pela mente de Juna, parecem deslocadas, e não se encaixam com o clima proposto pelo anime. E o final, apesar de interessante, é um pouco corrido, e algumas explicações não convencem muito. Ainda assim, o clima de desolação que vai se desenhando é mais do que suficiente para causar o impacto necessário.

Earth Girl Arjuna não é uma série para todos. Se você é uma pessoa extremamente cética e materialista, ou se está mais acostumado a séries com ritmo vertiginoso, talvez não aprecie este anime. Por outro lado, se procura alguma obra mais profunda, que desperte a mente para novas idéias, Earth Girl Arjuna foi feito para você! ^__^

Fonte: Animehaus

Ghost in the Shell

24, Abr 2007

No ano de 2029, as máquinas estão integradas à sociedade. Nessa época, “alguns” seres humanos, aproveitando-se dessa tecnologia, transformaram seus corpos em máquinas perfeitas. A criminalidade já não existe de forma tão ameaçadora. O que realmente apavora a população são os “hackers”. Crimes virtuais são o verdadeiro caos. E eles possuem tantos ou mais conhecimentos que a própria polícia, que não consegue impedi-los de forma eficiente.

Para combatê-los, o Ministério das Relações Exteriores criou um projeto conhecido como “2501″ ou “Puppet Master” (Mestre das Marionetes), que é um tipo de “agente” (programa) capaz de invadir, saquear e abandonar, em milésimos de segundos, qualquer sistema sem deixar rastros. Mas um grande erro foi cometido… eles deram a esse “agente” uma capacidade humana: assimilar conhecimentos. Em termos bem simplórios: um programa que poderia ficar inteligente. E com o tempo, esse “agente” se auto-denominou um ser vivo, e por este motivo quer estar “fora”, isto é, sair do programa e adentrar ao mundo real. O Internal Bureau of Investigation (“IBI” – uma entidade criada após a Terceira Guerra Mundial, composta por vários países, com o objetivo de evitar novas guerras), desconfia vagamente do envolvimento do governo japonês com um hacker extremamente habilidoso, conhecido apenas pelo codinome de “Puppet Master”. O vazamento dessas informações poderiam acabar com o governo do Japão. O Ministério tem que recuperar o “agente”, mas este tornou-se inteligente demais, e começa a chantageá-los com as informações que conseguiu, inclusive ameaçando denunciar a sua própria existência. A trama de Ghost in the Shell está pronta.

Aqui entra em cena, para ajudar a capturar o Puppet Master, a Major Motoko Kusanagi, membro de uma unidade especial da polícia japonesa (Seção 9), treinada para combate em situações altamente perigosas. E, juntamente com ela, seus parceiros: Bateau, outro ciborgue, uma pedra de gelo quando se trata de emoções, extremamente leal e companheiro; também faz parte da equipe o oficial Togusa, o único humano a fazer parte deste grupo. Como a própria Major diz: “máquinas perfeitas são previsíveis, é necessário alguém que não seja tão perfeito, para que o grupo se torne perfeito” (será que isso era algum tipo de elogio ao oficial Togusa? Vai saber?!?!?!). Falar mais sobre os personagens e seu envolvimento com o Mestre das Marionetes acabaria com qualquer expectativa daqueles que ainda não assistiram a este belíssimo “movie”.

Este “anime-movie” foi levado ao público brasileiro com o nome de “O Fantasma do Futuro”, e surgiu de um mangá homônimo criado por Masamune Shirow e lançado entre os anos de 1989 e 1990 (mas existem algumas diferenças entre o anime e o mangá), além de ser uma das poucas obras que podem ser encontradas em locadoras brasileiras. A versão do “movie” foi produzida em 1995 pelos Studios I.G e dirigida, de forma independente, pelo genial Oshii Mamoru (o mesmo de Jin-Roh e Patlabor – duas jóias da animação!), com colaboração de uma equipe de peso: o diretor musical Kenji Kawai (Patlabor, Patlabor 2, Devilman, Vampire Princess Miyu, Ranma 1/2, Maison Ikkoku); o diretor artístico Hiromasa Ogura (Patlabor, Patlabor 2, Wings of Honneamise, Appleseed, Ninja Scroll, Giant Robo, Nadia); projeto mecânico, a cargo de Shoji Kawamori (diretor de Macross, Macross: Do You Remember Love?, Macross 7, Moldiver Tv, Gundam, Dangaioh); animação a cargo de Toshihiko Nishikubo (co-diretor em Patlabor 2 e supervisor em Shurato); e a produção a cargo de Yoshimasa Mizuo / Ken Iyadomi (os mesmos de “Akira”… precisa mais?? ^__^), além de muitos outros.

E dele surgiu ainda Ghost in the Shell: Stand Alone Complex, com 52 episódios, produzidos pela IG em 2002, e esta história transcorre num universo paralelo, onde a Major Kusanagi jamais se encontra com o Puppet Master. Como uma consideração final: se não gostaram do “movie” ou ficaram cheios de perguntas, sugiro que leiam o mangá. É bastante interessante e esclarece muito sobre a história. Inclusive partes que foram censuradas, por exibir um certo “lesbianismo” explícito como uma possibilidade cibernética; e outras coisas que, digamos, entrariam em confronto religioso, como as constantes comparações com Deus (na hora da criação do homem ou atingir a perfeição de Deus). Mais uma informação: o “Kusanagi”, usado como nome de um dos personagens, tem uma referência mitológica: Kusanagi é o segundo nome da espada retirada de Orochi (Kusanagi no Tsurugi), que foi presenteada ao neto da deusa Amaterasu (Deusa do Sol), Niniji. Este, por sua vez, se tornou o avô do Imperador Jinmu, o Primeiro Imperador do Japão.

Abram suas mentes ao assistir a Ghost in the Shell, e irão entendê-lo logo de cara. Do contrário, irão assisti-lo 10, 20 vezes e não encontrarão sentido algum.

Fonte: Animehaus

Nem preciso dizer que esse anime causou um estardalhaço tremendo na sociedade de fãs. A produção é impecavel, o audio é simplesmente d+ … tanto que nunca fui além de baixar o animê e assisti-lo, porém após este, eu fiz questão de procurar pela trilha sonora e gravar um CD para ouvir no carro.